domingo, 8 de novembro de 2009

O fabuloso mundo dos roteiristas


Alguns vídeos super legais:
Diablo dando entrevista sobre The United States of Tara.
Diablo falando do livro de stripp, antes de lançar Juno.
Música com tom grunge que Ellen Page e Michael Cera fazem para Diablo.



Para quem ainda não percebeu, eu sou chegada num livro, num teclado de computador, em uma pena (se quiser ser mais medieval). Eu gosto de escrever.
Nesse post, coloquei os principais passos da jornada do herói de Joseph Campbell, que estudou desde histórias mitológicas até roteiros de cinema modernos para entender a base na qual todas as histórias se sustentam.
É claro que isso não é uma regra dura que irá paralisar todo o processo literário, mas uma sugestão (muito boa) de generalização.

Créditos ao Albert Paul Dahoui, que publicou um guia no site do Roteiro de Cinema que orientou o meu.
Usei Juno para exemplificar todos os passos.



Passo 1 – Mundo Comum.

O herói é apresentado em seu dia-a-dia.
A caracterização básica e relevante para história deste personagem deve ser exposta. É o que justifica a sua reação à aventura.

Exemplo em Juno: Nas primeiras cenas, podemos ver que Juno é uma adolescente, que não é uma cheerleader nem uma geek. Sabemos também que ela transou com um garoto.

Passo 2 – Chamado à aventura

A rotina do herói é quebrada por algo inesperado, insólito ou incomum.
Exemplo em Juno: Ela vai até a farmácia fazer seu terceiro teste de gravidez e percebe que, de fato, está grávida.

Passo 3 – Recusa ao chamado

Como já diz o próprio título da etapa, nosso herói não quer se envolver e prefere continuar sua vidinha.
Exemplo em Juno: Ela pensa em abortar e vai para o Women Now.
Passo 4 – Encontro com o Mentor

O encontro com o mentor pode ser tanto com alguém mais experiente ou com uma situação que o force a tomar uma decisão.
Esse é o primeiro ponto de virada.
Exemplo em Juno: Pode ser que o mentor tenha sido a amiga asiática (Chun Lee?) que protestava em frente à clínica de aborto ou os barulhos terríveis que as pessoas que esperam ansiosas fazem ou a soma de tudo isso. O legal em Juno é que o mentor não é um personagem sábio, que sabe a verdade, mas esse complexo todo, o que foge dos clichês.

Passo 5 – Travessia do Umbral

Nessa fase, nosso herói decide ingressar num novo mundo. Sua decisão pode ser motivada por vários fatores, entre eles algo que o obrigue, mesmo que não seja essa a sua opção.
Exemplo em Juno: Ela decide que não vai abortar e que vai doar o bebê para um casal que não possa ter filhos. Assim, ela continuará na aventura proposta de continuar a gestação.
Passo 6 – Testes, aliados e inimigos

A maior parte da história se desenvolve nesse ponto. No mundo especial – fora do ambiente normal do herói – é que ele irá passará por testes, receberá ajuda (esperada ou inesperada) de aliados e terá que enfrentar os inimigos.

Exemplo em Juno: São vários os momentos em que Juno recebe a ajuda de aliados – o pai a acompanha para conhecer Mark e Vanessa, a madrasta a defende da operadora de raio x babaca, Leah a ajuda a encontrar um casal para doação no jornal, assim como a acompanha em vários momentos, Mark lhe dá um gibi de heroína grávida, etc – assim como há vários momentos em que Juno é enfrentada (não por inimigos, mas pelas mesmas pessoas que a ajudaram, o que funde o bem e o mal que há em todo humano) – a madrasta questiona o seu relacionamento com Mark, Bleeker vai para o baile com outra garota, o pai questiona que tipo de garota ela é, etc.

Passo 7 – Aproximação do objetivo

O herói se aproxima do objetivo de sua missão, mas o nível de tensão aumenta e tudo fica indefinido.
Exemplo em Juno: no último mês de gravidez, todos olham para ela na escola e Bleeker resolve que vai para o baile com outra pessoa, seu corpo dói...

Passo 8 – Provação máxima

É o auge da crise.
Exemplo em Juno: Mark diz que vai se separar de Vanessa. Juno pensa que não existe amor verdadeiro.
Passo 9 – Conquista da recompensa

Passada a provação máxima, o herói conquista a recompensa.
Exemplo em Juno: Ela tem o filho e Vanessa fica muito feliz. Apesar de ter chegado ao objetivo, isso não quer dizer que ela tenha ficado feliz. Isso faz parte da mágica do filme, que fog do óbvio.

Passo 10 – Caminho de volta

É a parte mais curta da história – em algumas, nem sequer existem. Após ter conseguido seu objetivo, ele retorna ao mundo anterior.

Exemplo em Juno: Juno e Bleeker se juntam para tocar violão e agora são namorados. Ela volta à vida normal um pouco transformada. A vida de Vanessa também é mostrada, feliz no quarto do bebê.

As duas últimas etapas são quase que repetições da décima e nem sempre estão presentes. São elas:
Passo 11 – Depuração

Aqui o herói pode ter que enfrentar uma trama secundária não totalmente resolvida anteriormente.

Exemplo em Juno: a mãe de Juno, ausente desde o começo do filme, pode aparecer e dizer que sempre a amou, mas que tinha epilepsia e não queria que ninguém soubesse.

Passo 12 – Retorno transformado

É a finalização da história. O herói volta ao seu mundo, mas transformado – já não é mais o mesmo.
Exemplo em Juno: seria a mesma história de ir tocar violão com Bleeker.


Ótimas dicas de como é a vida de um roteirista num texto muito divertido (que tia eu) - clique.