quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Até que a foda constante os separe


Tinha escrito esse texto há muito tempo...
Mas acabei não postando.
Até agora.

Regras da Atração é um filme de 2002, mas eu revi em um final de semana desses. Lembro que quando vi pela primeira vez, fiquei horrorizada de ver o Dawson (meu colega nas depressões de segunda à noite) tão mau e pegando todo mundo. O Dawson é quase assexuado de tão bonzinho em Dawson’s Creek. Mas James Van Der Beek (eternamente Dawson) encarna perfeitamente o Sean Bateman do livro de Bret Easton Ellis (com o mesmo nome do filme).
Inclusive, voltando à minha teoria de que todo autor se enfia no livro disfarçado em algum personagem, acredito que o Bret deve ser o Sean. Razões: Sean é um dos protagonistas e Sean faz literatura (sempre a máster razão).
Peguei o livro emprestado antes de rever o filme. Devorei as páginas em duas semanas (poderia ter sido coisa de 3 dias, mas a vida...). O ritmo acelerado mostra a descrença presente em todos os personagens-narradores. Vez ou outra, Paul ou Sean ou Lauren têm o coração partido e precisam se alongar mais alguns parágrafos. Mas logo se recuperam e transam com a próxima pessoa. Fico pensando o que os colegas de faculdade pensavam de Bret quando ele lançou um livro que se passa em uma faculdade, em que todo mundo trepa com todo mundo, usa drogas, chupa o professor que não dá aula...
Será que ele passou pela crise que viveu Lolita Pille com o livro Hell, no qual ela detonava todas as suas amiguinhas consumistas-promíscuas (palavra super x, mas vai), que deixaram, digamos, de chamar Lolita para fazer compras com elas?

De todas as formas, recomendo as leituras do Bret ou os filmes feitos dos seus livros, nos quais todos sofrem profundamente assim como tocam o foda-se profundamente.

Os personagens são ligados e desligados emocionalmente com a mudança das estações.



Eu – Será que ele é uma pessoa infeliz, que nunca encontra um sentimento verdadeiro como os seus personagens?
Phil – Não. Ele é rico.

Fiz um texto bretiniano para meu livro com o Phil:




Laura.



Eu posso viver. Estudar, ter empregos, ter amigos, deixar de tê-los, encontrar a pessoa pra vida inteira e ainda a ter a vida inteira, estudar outra vez, ter outros empregos, ser feliz e triste, perder tudo, ganhar o dobro, descobrir um hobby, esquecê-lo, comprar coisas, jogá-las fora e, ainda assim, pensar: e daí?
Enviado por coelhinha
Eu posso viver e, ainda assim, e daí?
Enviado por coelhinha
Não tive filhos, que é o que dizem dar novo sentido à vida, então só posso dizer do que sei. E sei que nada importa, depois de tudo. Poderia morrer agora que pensaria – não perdi nada, vivi bastante e muito pouco. E é isso – só. E daí?, portanto.
Enviado por coelhinha
Porque o trabalho, o amor pra vida toda, os amigos – que sempre se vão, e tudo o que se constrói é apenas uma grande tentativa de evitar [pensar] a solidão. Porque somos todos intrinsecamente sós. E essa é a única garantia.
Enviado por coelhinha
Talvez, só pessoas desgraçadas como eu percebam isso. Talvez algumas pessoas realmente se contentem com as amizades temporárias, as risadas no final de semana e o a.p.v.t. (amor para vida toda) ao lado.
Enviado por coelhinha
Talvez só eu fique acordada depois que todos já pegaram no sono, ouvindo o silêncio agudo do relógio de ponteiro. Talvez só eu me sinta sozinha por isso. Talvez eu que seja a solitária, e não a humanidade.
Enviado por coelhinha
Mas a minha aposta é que não.
Enviado por coelhinha
Você está sem calcinha?
Enviado por gostoso69
E eu não posso mostrar esse texto pra nenhum conhecido. Não posso deixar que ninguém saiba que me sinto só, que ninguém tapa meu buraco, que estou oca, que sou oca, que ninguém nunca fez e nunca fará nenhuma diferença pra mim, que ninguém conseguiu me dar aquele amor que traz calma.
Enviado por coelhinha
E todas as minhas não-companhias: amigos, família, o a.p.v.t., retrairiam as testas, traídos, injustiçados e diriam – ingrata, como os lábios retorcidos.
Enviado por coelhinha
Liga a webcam, gata!
Enviado por gostoso 69
Então não digo. Sigo com as alegrias, com os dias, as boas notícias, com as horas cheias e produtivas, com a beleza, com as gentilezas...suportando tudo isso. Fingindo não perceber o quanto isso não tem nenhum valor. O quanto isso é ralo. O quanto isso tem validade limitada e... já está vencido.
Enviado por coelhinha
E peço desculpas a você, por ter de se sentir invadido, por saber o que eu sei.
Enviado por coelhinha
É porque, a ti não me apeguei, apesar de ser o único que talvez fique um pouco.
Enviado por coelhinha
Você não vai tirar a calcinha né?
Enviado por gostoso69
coelhinha sai do bate-papo