segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Lolita no Crepúsculo








“Estou cagando para aqueles velhos críticos franceses que determinam como deve
ser a literatura hoje.”

“Uma noite perfeita é ficar em casa com
um ótimo livro e bebendo um chá verde. Outra noite perfeita é ficar em casa
escrevendo. Uma noite perfeita falsa é cair na balada e ficar bêbada. A
questão
é: se eu sei disso, por que continuo saindo?”

“Estou feliz
com a
minha infelicidade.”

Fonte: Revista Trip


O novo livro de Lolita Pille chega ainda este ano ao Brasil. Crépuscule Ville (nome mais ou menos nesses tempos vampirescos) foge um pouco do costume de Pille de descer o cacete nos franceses riquíssimos como ela. O livro é uma mistura de mistério e ficção científica (!!!) e, segundo site do jornal Zero Hora, é uma história sobre um futuro em que, os bancos implantam nas pessoas chips que controlam seus gastos, os encontros sexuais são marcados pela rede, há uma tirania da magreza que confina os gordos em campos de concentração chamados "zonas não" e as marcas são as verdadeiras governantes do mundo. Ok, isso é bem Lolita. Apesar de ficção científica não ser mesmo meu forte e do livro ter cara dos muitos últimos filmes que rolam no cinema (Os substitutos, Gamer...), acho que vale muito a pena checar a Lolita em um formato tão diferente e ousado.

O livro Hell, o primeiro da autora, marcou a minha entrada na faculdade. Em 2004, eu escolhi o livro sem saber muita coisa sobre ele. Depois o professor de Teoria Literária recomendou-o como o livro do momento pós-modernista pós-apocalíptico contemporâneo ferrado em que vivemos. Emprestei para metade da turma e ele voltou com as páginas enrugadas de pegar chuva e com cola grudando as pontas (acidente em uma mochila). Ótimo. Livro tem que ter história por dentro e por fora.

Por mais que seja um tipão best-seller, apesar da baixaria cult, o livro é muito bom. É um livro que eu chamaria de circular. O final encontra o ponto exato em que começou. Nada fica sobrando. A história se fecha em si mesma. Ela acaba de verdade e é isso que dói mais. Ver que já era: você já leu a última página.

Tenho um pouco de medo de ver a versão fílmica que fizeram em 2006 e não teve nenhuma repercussão por aqui. Tenho medo de terem transformado a Hell em uma sentimentalóide. Hell é uma gracinha escrota como é. Vejam o trailer!

Sara Forestier interpretando Hell.

Depois veio o Bubblegum e eu acampei no quarto de televisão, coloquei meu colchão no chão e o li em uma madrugada. Certamente, não causou o mesmo impacto que o primeiro. Lolita desenvolveu uma história bem mais complexa, mas não do tipo circular. Parece forçado. Li, recentemente que, quando escreveu o primeiro livro, Pille não tinha muita bagagem de leitura, foi só no feeling mesmo e que, para o Bubblegum, ela investiu em vários livros. Bem, às vezes, isso acontece. Às vezes, o escritor trava o processo criativo quando deseja controlá-lo demais...



Comam desse arroz!